
O Projeto é baseado numa parceria de índios
e pequenos produtores do Maranhão e Tocantins. É executado
pela Associação Vyty-Cati representando
5 povos Timbira e assessorado pelo CTI. As atividades
estão basicamente direcionadas para os aspectos
de fortalecimento da Vyty-Cati, geração
de renda, preservação e conservação
da biodiversidade do cerrado e sustentabilidade econômica
a partir do aproveitamento dos seus recursos naturais.
Os frutos nativos coletados por índios e pequenos
produtores são beneficiados na forma de polpa
congelada para comercialização junto
ao mercado consumidor. Além das atividades de
coleta de frutas, que ocorrem no período que
vai de setembro a fevereiro, cada uma das 10 aldeias
integrantes da Vyty-Cati, estão instalados viveiros
de mudas para trabalhar o plantio de espécies
nativas, adensando áreas já produtivas
e recuperando áreas desmatadas. Em três
aldeias funcionam também unidades de pré-processamento
de frutas.
 |
 |
Aldeia Nova - Krahô
Foto/ M Hekler |
Multirão
Agroflorestal
Foto/J.Carlos |
As Frutas Nativas
As frutas com as quais o projeto trabalha
na produção de polpas são: caju - além da polpa aproveita-se
a castanha para torrar, são feitos doces e a famosa
cajuína; juçara - é o "açaí do Maranhão", rica em ferro
e muito consumida atualmente; bacuri - existe exclusivamente
no Maranhão e Pará, de sabor característico, tem enorme
procura na região para sucos, doces e sorvetes; buriti
- muito popular na nossa região, mas existente em várias
partes do Brasil, é a maior fonte de vitamina A que
existe e é aproveitado também como doce; cajá -saborosa, é uma
das mais procuradas para suco.
Além dessas, estamos trabalhando experimentalmente
também com o araçá - rico em vitamina C; murici - encontrado
na beira de brejos e rios, usado para sucos e doces;
mangaba - muito saborosa e perecível, da qual aproveita-se
também o látex; bacaba - parecida com o açaí, mas de
mercado ainda incerto. O potencial de aproveitamento
das frutas nativas é imenso, seja para polpa, seja
para doces, óleos, essências, fibras, etc... Esperamos
poder contribuir para o conhecimento de uma pequena
parcela desse potencial.
Fruta Sã
As frutas coletadas são beneficiadas
pela Fruta Sã (Indústria, Comércio e Exportação Ltda),
empresa de propriedade da Vyty-Cati e do CTI que possui
uma unidade de processamento localizada em Carolina
(MA). As frutas, são embaladas e comercializadas sob
a marca Fruta Sã.
O mercado de polpas de frutas hoje é extremamente
disputado, mas acreditamos numa consolidação da FrutaSã em
função de sua origem social e ambiental diferenciada.
O produto tem sua origem no esforço conjunto e inovador
que comunidades indígenas e pequenos produtores realizam
para preservar uma das paisagens mais ricas do Brasil,
da qual dependem para viver. Os frutos por sua vez,
são coletados em áreas extrativistas e de plantio,
onde o manejo é orgânico e livre de agrotóxicos. No
seu beneficiamento em polpa na fábrica não recebem
nenhum tipo de aditivos químicos ou conservantes, garantindo-se
a qualidade do produto.
 |
 |
| Fábrica Fruta Sã |
Sistemas Agroflorestais
A região tem sofrido as conseqüências
de um modelo de desenvolvimento predatório e extremamente
prejudicial ao meio ambiente. Desde o Projeto Carajás,
até o plantio das monoculturas da soja e do eucalipto,
o cerrado tem sido sistematicamente destruído, pondo
em risco sua biodiversidade e suas populações tradicionais.
Um dos aspectos importantes do trabalho refere-se ao
tipo de manejo que pretendemos difundir junto aos produtores índios
e não-índios vinculados ao Projeto Frutos do Cerrado.
O projeto estimula a implantação de culturas permanentes
consorciadas com as culturas temporárias, viabilizando
as chamadas "capoeiras melhoradas", áreas de roça que
poderão se transformar em pomares e bosques, mediante
os devidos tratos culturais.
Mais do que frutíferas, a idéia é trabalhar
com várias espécies para dar suporte aos sistemas agro-florestais
que se pretendem implantar em algumas unidades demonstrativas
na região. Queremos demonstrar a viabilidade desse
sistema, em contraposição às grandes monoculturas e
ao uso de agrotóxicos. Nesses sistemas deve-se levar
em conta, a importância de vários aspectos: a dinâmica
da sucessão natural, o tempo e o extrato que as plantas
ocupam, o adensamento de plantas, o sombreamento, as
podas para "rejuvenescimento", consórcios adequados,
o aumento de massa orgânica, uso de adubação verde
e de controles fito-sanitários.
Leia sobre os demais projetos
|