O Projeto Arte nos Quintais do Cerrado foi uma parceria entre o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e a Associação Indígena Terena de Cachoeirinha (AITECA), com apoio do Programa de Pequenos Projetos e recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Considerando a preservação dos ecossistemas existentes na Terra Indígena Cachoeirinha e seu entorno, fator essencial para a sobrevivência física e cultural de seus habitantes, o projeto enfatizou a interdependência entre meio-ambiente, melhoria das condições de vida e fortalecimento cultural e político do povo Terena. Dessa forma, o Projeto desenvolveu diferentes atividades, complementares umas às outras:
- viveiro Inamati Issone´uti da Aiteca – espaço
destinado à produção de mudas
de espécies nativas do cerrado e experimentações
relacionadas à agrossilvicultura. O viveiro é um
importante espaço para a formação
dos agentes agroambientais indígenas,
assim como para atividades envolvendo alunos
e professores
da escola Terena de Cachoeirinha.
- apoio aos grupos familiares de mulheres
ceramistas, através da valorização das
técnicas tradicionais, busca de soluções
para problemas no processo de produção
das peças e apoio para a abertura de
novos mercados.
- adensamento de áreas de mata e cerrado
em regeneração e pesquisa de manejo
de espécies nativas úteis, com especial
atenção às espécies
que fornecem lenha para a queima da cerâmica.
- enriquecimento dos quintais domésticos
da comunidade com espécies úteis,
reforçando uma prática já desenvolvida
pelos Terena.
As técnicas de fabricação das peças cerâmicas
são ensinadas pelas mulheres mais velhas às mais jovens. É uma
atividade que estimula e reforça os laços de solidariedade
familiar.
A argila é retirada
das margens de pequenos córregos,
com as mãos ou com pás, transportada
para a aldeia em latas, bacias, sacos plásticos
carregados na cabeça, carriolas
ou ocasionalmente algum veículo
(carroça, bicicleta, moto, trator).
Essas fontes de matérias primas
estão situadas a distâncias
variáveis em torno de 3km. Em geral,
a coleta é feita em grupo onde participam
além das mulheres, alguns filhos.
A qualidade do barro é dada pela
aparência e através do tato.
A argila para modelagem das peças é cinza
escuro, não pode conter impurezas
como pedras, paus e outros resíduos.
Quando as mulheres têm
um tempo livre nos seus afazeres domésticos
elas socam no pilão, ou amassam
com um pedaço de ferro sobre uma
pedra, cacos de cerâmica até se
transformarem em um pó fino que é peneirado
e misturado aos poucos a argila, para diminuir
a plasticidade do barro.
O princípio de uma
peça, na maioria das vezes é uma
base redonda onde são colocados
roletes da argila preparada, superpostos
um a um e unidos por compressão
das pontas dos dedos, tanto de dentro para
fora, quanto no sentido inverso até atingir
a forma da peça desejada, durante
esse trabalho, as mãos são
permanentemente umedecidas.
Em seguida a superfície
da peça é alisada com uma
espátula de madeira ou a concha
de uma colher e levada a secar em um lugar
arejado e à sombra, em geral de
um dia para o outro. São polidas
com os seixos, expostas por algum tempo
ao ar e sol e por último são
enfeitadas com delicados desenhos com linhas,
pontos, flores, espirais, e outros motivos
que identificam as ceramistas Terena.
A cerâmica Terena
mantém ainda, nos dias de hoje,
seu caráter utilitário, o
que exige um processo de queima das peças
bastante cuidadoso na medida em que a qualidade
do produto depende em grande parte desta
etapa da fabricação. Em geral,
na casa das ceramistas há um buraco
no chão do quintal onde são
queimadas as cerâmicas. São
usadas cascas e lenha de determinadas espécies
vegetais que garantes uma boa combustão
e são colocadas embaixo e sobre
as peças formando uma fogueira em
forma de cone.
Clique aqui e veja as fotos da produção
de cerâmica
Vendas e Contatos:
Associação Indígena
Terena de Cachoeirinha (AITECA)
Sede da AITECA – Aldeia Cachoeirinha
Caixa Postal 100 Cep: 79380-000
Miranda – Mato Grosso do Sul