20.03.2007 Programas Ações Estratégicas Povos indígenas C.N.P.I. Mapas
 
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Ambiental

Desde de 1997, com apoio da Rainforest Foundation da Noruega (RFN) vem sendo desenvolvido junto com os índios Krahô, Terena, Guarani e Timbira uma série de trabalhos no qual foram promovidos levantamentos sobre: o conhecimento e das representações destes grupos sobre a diversidade biológica e ambiental presente em suas terras; as formas de uso destes ambientes por esses grupos indígenas; e a realização de caracterizações desses ambientes e de seus elementos componentes.

Esses trabalhos visam à capacitação e familiarização desses grupos indígenas com a linguagem técnica e também com as técnicas de levantamentos de dados, que poderão ser utilizados na realização de mapeamentos dos recursos e zoneamentos ambientais de suas terras. Acreditamos ainda, que esses trabalhos orientarão ações que busquem a sustentabilidade dessas populações, além de poderem contribuir com a manutenção de relações equilibradas entre essas sociedades e os ambientes com os quais elas interagem.

Se de um lado, temos as populações não-indígenas que, para a produção de seus "bens materiais", têm até aqui imprimido aos ambientes naturais um uso, no mínimo, nada sustentável, de outro, sabemos que as populações indígenas são profundas conhecedoras de estratégias de sustentabilidade, não somente delas próprias, mas também dos ambientes nos quais estão inseridas. Este conhecimento não somente contribuiu para que as regiões que elas habitam continuem "conservadas", mas também representa uma inestimável contribuição enquanto exemplo a ser seguido. Sabemos que as formas de manejo tradicionalmente realizadas pelos povos indígenas não causam reduções na diversidade das espécies vivas (biodiversidade), chegando mesmo a incrementá-la. Isto não significa que estas populações não promovam transformações nos ambientes em que vivem. Na verdade, as alterações causadas por elas são imensamente significativas. A grande diferença em relação àquelas alterações que põem em risco a diversidade dos seres vivos e, portanto, dos ambientes, é que as mudanças causadas por esses povos aos ambientes são mudanças lentas e de pequena escala, que causam, sim, grandes mudanças nos ambientes naturais, mas, por serem "lentas", não causam rupturas nos processos biológicos.

No entanto, para as populações indígenas "manterem vivos", seus conhecimentos - de inestimável valor para as perspectivas de sobrevivência dos ambientes naturais (e, portanto, dos seres vivos), dentre eles a própria espécie humana - necessitam continuar utilizando esses conhecimentos conforme seus padrões tradicionais (pois, eles somente se manterão "vivos" enquanto forem utilizados em sua prática cotidiana).

Porém, temos que nos conscientizar de que as populações indígenas não estão paradas no tempo e que o contato com as populações não-índias causou e ainda causa grandes alterações nos seus modos de vida. Essas populações almejam, tanto quanto qualquer outra população humana, boas condições de vida, assim como o acesso aos bens produzidos por toda humanidade. Nos encontramos, portanto, diante de um grande desafio. Este desafio é, afinal, o mesmo ao qual todas as populações contemporâneas estão se defrontando, que é o de como compatibilizar desenvolvimento e conservação da natureza. Diante de tais questões é que o CTI e as sociedades indígenas, junto às quais ele desenvolve seus trabalhos, vêem-se conectados às demais organizações e grupos indígenas que têm travado um exaustivo debate acerca das relações entre povos indígenas, ambientes e biodiversidade.

Também nos é totalmente claro que a noção de ambiente está diretamente relacionada às noções amplas de território e espiritualidade, e às implicações de recursos econômicos provenientes da terra. Se quisermos ter uma visão realmente holística dos ambientes não podemos, de forma alguma, dissociar tais questões.

Nesse contexto, é que os trabalhos realizados no âmbito deste "Projeto Ambiental" tiveram como maior preocupação uma maior aproximação e uma participação mais efetiva dos grupos indígenas nesses trabalhos de caracterização ambiental de suas terras. Pois temos claro que somente a realização de estudos, que revelem as dimensões de conhecimento e prática dessas populações, e que promovam uma efetiva participação delas em levantamentos e caracterizações de seus ambientes, irá de fato possibilitar a realização de zoneamentos ambientais, significativos ao planejamento e/ou implementação de ações de controle e uso dos recursos ambientais que sejam realmente sustentáveis e que possibilitem a conservação dos ambientes presentes no interior das Terras Indígenas.

Leia sobre os demais projetos

 

 

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