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Timbira

Krahô, Gavião-Pykopjê, Krikati, Apinajé, Canela-Apãnjêkra e Canela-Ramkokamekra

São povos que formam a chamada nação Timbira. Falantes de uma língua do tronco Jê, foram ocupantes tradicionais de uma grande extenção de terras situada nos cerrados do norte do Tocantins e sul do Maranhão e colonizada a partir do século passado por frentes agro-pastoris.

Sua população atual ultrapassa cinco mil pessoas, distribuídas em 28 aldeias.

Atualmente os territórios ocupados pelos Timbira são descontínuos, formando pequenas ilhas que variam entre 50 a 300 mil hectares, cercadas ou invadidas por pequenas fazendas de criação de gado - totalizando 774 mil ha de cerrados e 62 mil hectares de floresta sub-tropical.

Estas terras estão localizadas numa região onde os conflitos pela posse da terra são violentos.

Nas últimas décadas, a região de Imperatriz (MA) e Araguaína (TO) tem sido alvo de empreendimentos subsidiados por incentivos fiscais visando a industrialização da região.

Para a grande maioria dos Timbira, entretanto, este processo tem significado apenas a invasão e a retaliação de suas terras, com a passagem de estradas de rodagem, linhas de alta tensão e a conseqüente pressão sobre seus recursos naturais.

Apesar do contato permanente com a sociedade nacional há mais de um século e de toda a pressão advinda com o "desenvolvimento" da região, os Timbira têm coseguido manter seus padrões socioculturais.

A reprodução do seu ethos é garantida pelo sistema ritual, as "festas" - valorizadas e apoiadas pelo CTI. Essas festas - marcadas por cantos e corridas com toras específicas - exigem uma farta distribuição de alimentos. Hoje em dia algumas festas se prologam em período de latência por vários meses, até que a aldeia promotora possa providenciar os alimentos e outros itens necessários para a conclusão. Esse rituais marcam a solidariedade necessária ao convívio nas aldeias e são momentos em que se enfatizam as regras de comportamento.

Krahô e Canela

Os Krahô (320 mil hectares e população de 1500 índios) e os dois grupos Canela do Maranhão (C.-Ramkokamekra com 1.200 índios e área de 125 mil ha de área) continuam mantendo seus padrõs socioculturais sem muitos problemas. O isolamento relativo da área - e sua distância em relação aos pólos mais dinâmicos e modernos da região - tem contribuído para este fato. Cerca de 85% do território da área Krahô é constituído de cerrado típico, onde os índios caçam, coletam e plantam roças de subsistência nas matas de galeria ou de encostas.

Krahô - Corrida de toras
Foto/G.Azanha

 


Reunião na aldeia Patizal
Foto/Maria Elisa Ladeira

Apinajé

Até a década de 1940, os Apinajé (TO) mantinham, com rigor, seu sistema ritual operante - e com ele toda a estrutura social e cultural que os aproximavam e afastavam, ao mesmo tempo, dos demais Timbira. A depopulação que sofreram na década de 1920, aliada ao engajamento imposto pelo SPI e posteriormente FUNAI nas atividades produtivas de coleta e quebra de coco-do-babçu, vieram a interferir neste quadro.

A invasão maciça de suas terras no ínicio dos anos 1970 e o abandono do calendário ritual contribuiu para a determinação de um horizonte de futuro onde o "continuar sendo índio" era questionado. Depois da área demarcada (em 1985) e de uma re-aproximação mais intensa dos demais grupos Timbira, acentuada nos últimos anos pela participação na Associação VytyCati, os Apinajé vem retomando com maior empenho alguns de seus rituais.

Krikati

Os Krikati (MA), por força da invasão de suas terras por mais de 500 famílias de "regionais", dispõem de poucos recursos do seu ambiente. Por conta desta situação - e por imposição de uma política equivocada da FUNAI - residiram desde os anos 1970 até recentemente numa única aldeia, São José. A convivência forçada entre subgrupos autônomos foi a causa da instabilidade política permanente que se verifica entre eles (cujo reflexo imediato são as constantes trocas de chefes). Demarcada apenas em 1997, depois de uma longa pendência política e judicial, os Krikati receberam dos invasores uma terra devastada, degradada em seus recursos naturais. Novas aldeias estão sendo estabelecidas em pontos estratégicos do território e o CTI tem projetos para ajuda-los na recuperação de áreas degradadas.

Por outro lado, e apesar da tensão quase permanente, a presença de muitos velhos entre a população Krikati tem propiciado as constantes "festas" em que vive a aldeia - e o respeito com que são tratados pelos demais Timbira como os "guardiões dos cantos dos antepassados".

Os Krikati e a torre da Eletronorte
Foto/H. Nagakura


Índios Gavião-Pykobjê
Foto/C.Silva

Gavião-Pykobjê

Os Pykobjê estão localizados no município de Amarante (MA) e enfrentam hoje sérios problemas advindos da exiguidade de seu território, de apenas 42 mil hectare, demarcado na década de 1970. Aguerridos e belicosos, os Pykobjê tornaram infrutíferas até meados do seculo passado as tentativas de colonização da região compreendida entre as cabeceiras dos rios Pindaré e Tocantins.

Atualmente estão distribuídos em três aldeias e somam uma população de 540 índios. Confinados em um território exíguo e pressionados por uma ocupação regional predatória e crescente, os Pykobjê estão vendo seus recursos naturais diminuírem gradativamente e inexoravelmente, por ausência de uma política de fiscalização oficial.

Como entre os Krikati, a diferença entre os velhos - mantenedores da "tradição" - e os jovens - que buscam novas formas de viver, orientadas pelo padrão ocidental - vem se acentuando nessas últimas décadas.

 

Veja a galeria de fotos do povo Timbira.

 

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