
Os Terena integram a grande família
lingüística Aruak e o complexo cultural
chaquenho. Com uma população de aproximadamente
15 mil pessoas, este povo vive atualmente em um território
descontínuo. São pequenas áreas
cercadas por fazendas e espalhadas por seis municípios
do Mato Grosso do Sul - Miranda, Aquidauana, Anastácio,
Dois Irmãos do Buriti, Sidrolândia e
Nioaque.
As terras ocupadas atualmente pelos
Terena foram requeridas pelo extinto Serviço
de Proteção aos Índios (SPI)
nas décadas de 1920 e 1930. Perfazem uma área
total de 19.572 ha, enquanto que sua população
total é composta por cerca de 2.600 famílias
- o que significa cerca de 7,5 hectares por família,
muito aquém do módulo mínimo
estipulado pelo Incra para fins de reforma agrária.
Esse quadro tem gerado, nos últimos
anos, um crescente fluxo migratório dos índios
em direção às cidades.
Quando os portugueses e neo-brasileiros
iniciaram a ocupação dos limites disputados
com a Espanha ao norte do rio Apa, entre 1780-1820,
encontraram nos Terena seus principais aliados. Grandes
agricultores, estes índios abasteceram todas
as guarnições luso-brasileiras instaladas
na região naquele período. Até o
final da guerra com o Paraguai, na qual lutaram ao
lado das forças aliadas, essa relação
- fundada no comércio e no respeito à autonomia
política dos Terena - manteve-se praticamente
inalterada. O pós-guerra representou o fim
deste regime e o início, para os índios, "dos
tempos da servidão", como chamam. Neste
período, com a consolidação
do domínio brasileiro sobre a região
- aquelas relações se alteraram, transformando
os Terena de agricultores autônomos em fornecedores
de mão-de-obra semi-escrava para os latifúndios
que começariam a estabelecer-se na região.
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Cerâmica
Terena
Foto/M. Elisa Ladeira
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A demarcação de pequenas "ilhas" de
terra cercadas por fazendas, no início deste
século, ainda que lhes garantisse um espaço
mínimo para a sobrevivência enquanto
grupo diferenciado, não alterou o quadro de
subordinação dos Terena aos interesses
econômicos dominantes na região.
Sob a administração
do extinto Serviço de Proteção
aos Índios (SPI), o regime de servidão
seria abolido; mas as reservas Terena tornar-se-iam
uma versão moderna de uma "reserva de
mão-de-obra". O controle deste mercado
de mão-de-obra pela oligarquia local, mantendo
baixa a remuneração pelo trabalho indígena,
fechava o círculo da atual dependência
Terena - que tem como suporte ideológico o
discurso, construído pelas elites políticas
locais, segundo o qual "dentro da área
indígena não há futuro".
O trabalho do CTI junto a este povo visa alterar
essa condição.
Veja
a galeria de fotos do povo Terena. |