
Os Marubo vivem no alto curso dos rios
Curuçá e Ituí, da bacia do Javari,
no município amazonense de Atalaia do Norte.
Em 2000, a população total era de 1.043.
Sua língua se inclui na família Pâno.
Nos mitos e nos cânticos de cura há um
vocabulário paralelo que substitui muitas
palavras de uso cotidiano. Atualmente os jovens do
sexo masculino podem se comunicar também em
português. Os mais velhos conhecem algumas
palavras de quêchua e de espanhol.
Para atingirem os centros urbanos, ou descem esses rios, alcançando,
nas proximidades da desembocadura do Javari no Solimões, Atalaia do
Norte (onde fica a sede de administração regional da FUNAI),
Benjamin Constant e a cidade colombiana de Letícia, ou então,
no sentido oposto, cruzam o divisor de águas que os separa do Juruá,
para chegarem a Cruzeiro do Sul, no Acre.
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As roças se estendem a partir da colina onde
se ergue a maloca, para os vales e colinas vizinhas.
Uma clareira para as novas roças é aberta
coletivamente pelos homens e depois dividida entre
as famílias elementares, que plantam os três
vegetais básicos na alimentação:
o milho, a macaxeira (aipim) e a banana. Além
do mamão, goiaba, e os destinados a outras
finalidades, como o tabaco, a urtiga e o algodão.
A pesca individual se faz com anzol, e a coletiva,
com ajuda de um entorpecente cultivado, cujas folhas
são pisadas com terra em buracos, de modo
a se fazerem pequenas bolas com a mistura, que são
dissolvidas na água. |
A maloca abriga várias famílias sob
a liderança do dono da casa. Este, como qualquer
outro homem, pode estar casado também com
uma ou mais irmãs de sua esposa. Com ele pode
morar o irmão de sua esposa, filhos casados
ou sobrinhos (filhos da irmã) casados com
suas filhas. Cada mulher e seus filhos ocupam o espaço
quadrado onde dispõem suas redes, erguem um
pequeno jirau para guardar objetos, alguns metidos
nas palhas da parede, e mantêm um fogo de cozinha
no lado desse espaço voltado para o centro
da maloca. O homem que tem mais de uma esposa pode
estar ora no espaço de uma, ora no de outra.
As mulheres comem no centro da casa sentadas em
esteiras sobre o chão. Junto à porta
dos fundos há no chão um tronco escavado,
de uns três metros, como um cocho, onde as
mulheres trituram grãos e frutos com ajuda
de uma pedra chata retangular. Na ausência
dos homens, algumas mulheres se aproximam das portas,
as únicas entradas de luz, para furar pedacinhos
de conchas de caramujos de que fazem contas para
diferentes pendentes e colares.
Talvez os ritos menos formais e freqüentes
sejam as refeições e as festas de beber,
para as quais uma maloca convida os vizinhos, quando
há carne de caça de sobra ou macaxeira,
milho ou pupunha. Mais elaborada e mais rara é a
festa Tanaméa, em que a maloca anfitriã limpa
os caminhos até as malocas convidadas, e abre
algumas clareiras para nelas receber com bebida os
convidados que se aproximam. A entrada destes na
maloca anfitriã é agressiva, escavando
o pátio externo e destruindo as palhas das
paredes. Em compensação, os moradores
da maloca podem tomar dos convidados os enfeites
que trazem.
No que tange ao ciclo de vida, o rito mais visível é o
funerário, que no passado envolvia a cremação,
a pulverização dos ossos e sua ingestão
pelos parentes dentro de um alimento pastoso, seguido
do desfile com partes do corpo do morto no sentido
de ajudar a sua "alma do coração" a
encontrar o caminho das provas post-mortem. Atualmente,
o cadáver é envolvido na sua rede e
levado pelas pessoas que mantém com o defunto
as relações mais distantes para o cemitério,
bem afastado da maloca, onde é depositado
numa sepultura, sobre a qual se constrói um
pequeno tapiri.
É pela mitologia que os Marúbo descrevem
o Universo e contam como se formaram. De um modo
geral, os seres são sempre feitos de partes
de outros seres, a começar pela superfície
terrestre, composta de partes moles dos corpos de
animais mortos, enrijecidas pelos seus ossos. A água
dos rios e os seus peixes também são
feitos a partir de outros seres, bem como os vegetais
da floresta. Do mesmo modo surgiram as plantas cultivadas,
segundo um dos três diferentes mitos que contam
sua origem.
Veja
a galeria de fotos do povo Marubo. |