20.03.2007 Programas Ações Estratégicas Povos indígenas C.N.P.I. Mapas
 
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Matis

Os Marubo vivem no alto curso dos rios Curuçá e Ituí, da bacia do Javari, no município amazonense de Atalaia do Norte. Em 2000, a população total era de 1.043. Sua língua se inclui na família Pâno. Nos mitos e nos cânticos de cura há um vocabulário paralelo que substitui muitas palavras de uso cotidiano. Atualmente os jovens do sexo masculino podem se comunicar também em português. Os mais velhos conhecem algumas palavras de quêchua e de espanhol.

Para atingirem os centros urbanos, ou descem esses rios, alcançando, nas proximidades da desembocadura do Javari no Solimões, Atalaia do Norte (onde fica a sede de administração regional da FUNAI), Benjamin Constant e a cidade colombiana de Letícia, ou então, no sentido oposto, cruzam o divisor de águas que os separa do Juruá, para chegarem a Cruzeiro do Sul, no Acre.

Marubo

As roças se estendem a partir da colina onde se ergue a maloca, para os vales e colinas vizinhas. Uma clareira para as novas roças é aberta coletivamente pelos homens e depois dividida entre as famílias elementares, que plantam os três vegetais básicos na alimentação: o milho, a macaxeira (aipim) e a banana. Além do mamão, goiaba, e os destinados a outras finalidades, como o tabaco, a urtiga e o algodão.

A pesca individual se faz com anzol, e a coletiva, com ajuda de um entorpecente cultivado, cujas folhas são pisadas com terra em buracos, de modo a se fazerem pequenas bolas com a mistura, que são dissolvidas na água.

A maloca abriga várias famílias sob a liderança do dono da casa. Este, como qualquer outro homem, pode estar casado também com uma ou mais irmãs de sua esposa. Com ele pode morar o irmão de sua esposa, filhos casados ou sobrinhos (filhos da irmã) casados com suas filhas. Cada mulher e seus filhos ocupam o espaço quadrado onde dispõem suas redes, erguem um pequeno jirau para guardar objetos, alguns metidos nas palhas da parede, e mantêm um fogo de cozinha no lado desse espaço voltado para o centro da maloca. O homem que tem mais de uma esposa pode estar ora no espaço de uma, ora no de outra.

As mulheres comem no centro da casa sentadas em esteiras sobre o chão. Junto à porta dos fundos há no chão um tronco escavado, de uns três metros, como um cocho, onde as mulheres trituram grãos e frutos com ajuda de uma pedra chata retangular. Na ausência dos homens, algumas mulheres se aproximam das portas, as únicas entradas de luz, para furar pedacinhos de conchas de caramujos de que fazem contas para diferentes pendentes e colares.

Talvez os ritos menos formais e freqüentes sejam as refeições e as festas de beber, para as quais uma maloca convida os vizinhos, quando há carne de caça de sobra ou macaxeira, milho ou pupunha. Mais elaborada e mais rara é a festa Tanaméa, em que a maloca anfitriã limpa os caminhos até as malocas convidadas, e abre algumas clareiras para nelas receber com bebida os convidados que se aproximam. A entrada destes na maloca anfitriã é agressiva, escavando o pátio externo e destruindo as palhas das paredes. Em compensação, os moradores da maloca podem tomar dos convidados os enfeites que trazem.

No que tange ao ciclo de vida, o rito mais visível é o funerário, que no passado envolvia a cremação, a pulverização dos ossos e sua ingestão pelos parentes dentro de um alimento pastoso, seguido do desfile com partes do corpo do morto no sentido de ajudar a sua "alma do coração" a encontrar o caminho das provas post-mortem. Atualmente, o cadáver é envolvido na sua rede e levado pelas pessoas que mantém com o defunto as relações mais distantes para o cemitério, bem afastado da maloca, onde é depositado numa sepultura, sobre a qual se constrói um pequeno tapiri.

É pela mitologia que os Marúbo descrevem o Universo e contam como se formaram. De um modo geral, os seres são sempre feitos de partes de outros seres, a começar pela superfície terrestre, composta de partes moles dos corpos de animais mortos, enrijecidas pelos seus ossos. A água dos rios e os seus peixes também são feitos a partir de outros seres, bem como os vegetais da floresta. Do mesmo modo surgiram as plantas cultivadas, segundo um dos três diferentes mitos que contam sua origem.

Veja a galeria de fotos do povo Marubo.

 

 

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