20.03.2007 Programas Ações Estratégicas Povos indígenas C.N.P.I. Mapas
 
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Senhor Presidente da República
Senhor Ministro da Justiça
Senhor Presidente da FUNAI

 

TEKOA YMA / TERRA INDÍGENA MORRO DOS CAVALOS, 15 de novembro de 2001.

            A divisa da nossa terra segue o Rio Massiambu Pequeno desde a nascente até o mar e o Rio do Brito desde a nascente seguindo em direção ao mar até a BR 101. No lado leste, o Morro dos Cavalos até o mar.

            Nós escolhemos essa área porque já estamos usando essa terra faz muito tempo e é preciso demarcar. Se não fizermos a demarcação, o tempo passa, os governos mudam, as autoridades mudam, vão chegando mais brancos para fazer comércio da terra. Até agora nós estamos segurando um pouco, nós somos índios, não temos dinheiro, só o dinheiro que vem do nosso artesanato. E aqueles brancos que tem dinheiro querem ficar também com a nossa terra. Precisamos e só podemos segurar com a demarcação. Queremos segurar a terra para ter para sempre. Se os brancos não reconhecem que é nossa, sempre vão querer tirar.

            Para fazer demarcação dizem que a terra tem que ser tradicional. Então essa terra é nossa terra tradicional. Hoje, nós escolhemos essa área, pelo menos essa, porque antigamente todo o continente era nosso. O descobrimento descobriu toda nossa riqueza. E tiveram que escravizar e massacrar os índios. Tiraram nossa terra, nossas matas, a nossa comida  e, até hoje, as autoridades não reconhecem a nossa terra, apesar das dificuldades que sofremos. Então, até hoje, não temos a nossa própria terra.

            E dizem que a demarcação tem que ser tradicional.
            E isso nós não entendemos, porque antigamente tudo era nosso. Não  precisava pedir para pegar os frutos nativos, as plantas medicinais, para pescar. Tudo era livre e hoje está tudo sendo proibido para nós. Para fazer roça, como antigamente, nós já não podemos. Mas pelos menos esse pedaço de terra que estamos querendo demarcar tem que ser reconhecido, porque se tirarem de nós até esse pedacinho, não teremos mais nada.

            Nós não podemos escolher todas as terras em volta, que nossos parentes usavam. Estamos aceitando esse pedaço, porque sabemos que nós não podemos pedir mais porque os branco já vão reclamar. Mesmo aqui no Morro dos Cavalos o branco diz que já é dono, e diz que é dono de muito mais. E também das terras e dos morros que nossos parentes usavam antes até dos brancos chegarem.

            O Rio Massiambu Pequeno nós queremos porque é um lugar muito bonito. Gostamos de andar perto da água, é um lugar bom para pescaria, onde vamos buscar taquara, que tem remédio que nós usamos até hoje, remédios antigos. E essa é a nossa medicina que nós conhecemos e queremos continuar usando, procurando na beira dessa água onde nós costumamos andar. Nós, os mais velhos, conhecemos os remédios da beira da água e queremos ensinar os mais novos. E hoje não podemos usar essa água porque quando  pegamos uma planta, um pedaço de mata, o branco já diz que não pode pegar.

            Entre os cursos dos rios Massiambu Pequeno e Rio Brito temos taquara, embira, plantas para remédios, frutos para comer, palmeiras, água boa. Aí fazemos mundéu e laços para pegar veado. Também tem um pedaço de terra boa para plantar as nossas plantas próprias, com as nossas semente e mudas: milho, feijão, aipim, batata doce, melancia. Tem madeira boa e quase todo o material que precisamos para o artesanato. E também é um lugar bom para morar.

            No Morro dos Cavalos (Yvyã Porã) é o  lugar onde temos nossas casas, nossa Opy (casa de reza). Também encontramos alguns remédios e algum material.  Quando tiramos material, palmitos e frutos no Morro dos Cavalos (Yvyã  Porã) deixamos madurar os frutos nos outros morros. E quando usamos os morros que ficam entre os rios Massiambu Pequeno e Brito (Yvyã Mboae Porã), deixamos os frutos madurar em Yvyã Porã.

            Queremos a garantia da terra para viver nossa cultura com liberdade, cultivar nossa cultura, ensinar nossos filhos e nossos netos. Porque hoje em dia, com a falta de uma terra verdadeira para nós, não podemos viver nossa vida e nossa cultura (nhande reko) completamente.

            Para vivermos tranquilos, ensinando nossas crianças com segurança, para não sermos mais ameaçados, massacrados e escravizados como no passado, pedimos que a demarcação seja feita com atenção e com urgência.

 AVETE XE RUVIXA, NHANDERU TUPÃ OMAE
(Muito obrigado autoridades. Que nosso pai TUPÃ lhes proteja, olhe por vocês).

Ass: Representantes do TEKOA YMA / Morro dos Cavalos

Artur Benite (cacique) -  João Antunes  - Narcizo de Oliveira - Genicio Borges  -   Timoteo - Nereu dos Santos - Cláudio Benite - Antonio Silveira - Tereza Brizola -Darci Lino Gimenez - Nadir Moreira Amorim - Augustinho Moreira -  João Batista Gonçalves - Luciana Moreira - Jurema Benite - Maria Campo - Nelson Gabriel - Paula da Silva - Adriana Benites - Arcindo Gonçalves - Tereza Tibe - Glória Benites  Vilalba - Laurindo Tibes - Lucio Benite - Paulo Cesar Antunes - Juliane Antunes - Eva de Lima Antunes - Sueli Antunes - Ozéias Pilantir - Aldo Gonçalves - Wera Tupã - Eduardo da Silva -  Floriano da Silva - Antonio Natalício - Augusto da Silva - Mário Guimarães. 




Saiba mais sobre Morro dos Cavalos


Centro de Trabalho Indigenista - SCLN 210 Bloco C Sala 217 - Brasília/DF cep 70.862-538 Fone: +55 (61) 3349-7769 Fax: ramal 210
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