Conheça mais algumas das
manifestações de repúdio à reportagem da Revista Veja
contra os Guarani de Morro dos Cavalos
Página 1, 2, 3
Moção ao editor-chefe da revista Veja (aprovada em 21.03.07)
A Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, acolhendo proposição do Partido dos Trabalhadores, apela pela concessão de direito de resposta à comunidade Guarani de Morro dos Cavalos, em razão do conteúdo da matéria intitulada “Made in Paraguai”, publicada na edição 1999 de 14 de março de 2007.
Atenciosamente,
Deputado Clésio Salvaro, Presidente em exercício.
Prezada redação da revista Veja:
É com imensa tristeza que leio a matéria intitulada "Made in Paraguai", onde discorrem sobre as populações indígenas do Brasil e mais especificamente sobre a aldeia guarani - e não embiá, como descrevem na reportagem - de Morro dos Cavalos, município de Palhoça na grande Florianópolis.
Depois de mais de 500 anos de massacre às populações indígenas, de escravidão e colonização, não é correto que os guarani - etnia que é proveniente sim dos carijós - pois estes pertenciam ao grupo guarani, sejam criticados de tal maneira preconceituosa pela revista.
O território originário dos guarani é composto por parte da Argentina , Paraguai e Brasil, e só foi dividido pela sociedade ocidental com a criação dos estados nacionais, mas para a população indígena guarani, tudo faz parte de seu território. Faz mais de 500 anos que esta população guarani transita por todos estes territórios, inclusive pelo Brasil e litoral de Santa Catarina. Não é porque vocês colheram dados irrelevantes de que os primeiros guarani vieram morar aqui no Morro dos Cavalos na década de 90, isto de modo algum quer dizer que eles não transitavam por aqui antes. Se tivessem realizado uma pesquisa mais profunda, conversassem com os mais antigos, veriam nos relatos de guaranis que transitavam por toda região desde 1900, com relatos de cronistas e do próprio Nimuendajú, que viveu entre os guarani de 1903 à 1907.
Agiram de má fé, e com interesses políticos e fundiários na região da Serra do Tabuleiro. Mas também é com imensa felicidade que relato que os guarani mbya/ carijó/nhandeva, ou como quiserem chamar estão mais unidos do que nunca, e não deixaram de lutar pela demarcação de sua terra e muito menos deixaram de reivindicar a posse legítima do Morro dos Cavalos.
Clarissa Rocha de Melo
Mestranda do curso de Antropologia Social da UFSC
Florianópolis/SC
Prezada redação da revista Veja:
É com imensa tristeza que leio a matéria intitulada "Made in Paraguai", onde discorrem sobre as populações indígenas do Brasil e mais especificamente sobre a aldeia guarani - e não embiá, como descrevem na reportagem - de Morro dos Cavalos, município de Palhoça na grande Florianópolis.
Depois de mais de 500 anos de massacre às populações indígenas, de escravidão e colonização, não é correto que os guarani - etnia que é proveniente sim dos carijós - pois estes pertenciam ao grupo guarani, sejam criticados de tal maneira preconceituosa pela revista.
O território originário dos guarani é composto por parte da Argentina , Paraguai e Brasil, e só foi dividido pela sociedade ocidental com a criação dos estados nacionais, mas para a população indígena guarani, tudo faz parte de seu território. Faz mais de 500 anos que esta população guarani transita por todos estes territórios, inclusive pelo Brasil e litoral de Santa Catarina. Não é porque vocês colheram dados irrelevantes de que os primeiros guarani vieram morar aqui no Morro dos Cavalos na década de 90, isto de modo algum quer dizer que eles não transitavam por aqui antes. Se tivessem realizado uma pesquisa mais profunda, conversassem com os mais antigos, veriam nos relatos de guaranis que transitavam por toda região desde 1900, com relatos de cronistas e do próprio Nimuendajú, que viveu entre os guarani de 1903 à 1907.
Agiram de má fé, e com interesses políticos e fundiários na região da Serra do Tabuleiro. Mas também é com imensa felicidade que relato que os guarani mbya/ carijó/nhandeva, ou como quiserem chamar estão mais unidos do que nunca, e não deixaram de lutar pela demarcação de sua terra e muito menos deixaram de reivindicar a posse legítima do Morro dos Cavalos.
Clarissa Rocha de Melo
Mestranda do curso de Antropologia Social da UFSC
Florianópolis/SC
À seção "Cartas dos leitores"
A reportagem de página central da edição de 14/3, intitulada "Made in Paraguai" indignou a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade Estadual de Santa Catarina. Como profissional vinculada ao Núcleo de Estudos sobre Saberes e Saúde Indígenas (NESSI-UFSC) e ao Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB-UDESC) venho expressar minha total discordância com a matéria realizada pelo jornalista José Edward. O referido jornalista e o editorial da revista demonstram incapacidade e incompetência (ou seria má fé?) na composição da referida reportagem. Não houve nenhum tipo de pesquisa jornalística, histórica, nem mesmo enciclopédica para fundamentar os dados ali expostos.Bastaria uma rápida pesquisa para revelar que os índios Guarani, que são referidos ali equivocadamente como "embiás", nunca foram extintos, e ao contrário, compõem o mais numeroso grupo indígena brasileiro, com uma população transnacional superior a 40 mil pessoas. Os Mbyá figuram como um dos sub-grupos da etnia Guarani, porém a aldeia de Morro dos Cavalos abriga também outro sub-grupo, os Chiripá ou Nhandeva. São amplamente levianas, preconceituosas e desinformativas as informações difundidas na reportagem, atingindo não só a população indígena, como também a antropóloga Maria Inês Ladeira, profissional com reconhecimento nacional pela qualidade de seu trabalho. Entendo que os responsáveis pelo editorial devem retratar-se veementemente na edição seguinte, para resgatar o propósito jornalístico a que se destina uma revista de circulação nacional como a Veja.
Flávia Cristina de Mello. Doutora em Antropologia.
Florianópolis/SC
Prezados Senhores,
O título da matéria matéria "Made in Paraguai", publicada na edição 1999, de 14 de março de 2007, assinada por José Edward, já dá o tom do que vai se ler ao longo do texto. Se esse título tivesse sido escrito em Língua Guarani (para citar uma das quase 200 línguas indígenas faladas no Brasil) poderíamos pensar que o repórter estaria preocupado com questões nacionais, com interesses daqueles que, desde a colonização do Brasil, foram expropriados praticamente de tudo (terra, cultura, língua, enfim). Ao escrever na língua de outro país, o que estará sugerindo o repórter? Muitas podem ser as respostas. O certo é que há uma posição muito marcada em relação ao que se discute na matéria, o que por si só já é um complicador, na medida em que se espera da imprensa séria um cuidado maior com as informações que publica.
Ainda que as nossas lições de história nem sempre mostraram (ou quem sabe ainda não mostrem) o que efetivamente aconteceu aos povos indígenas que viviam no Brasil quando os portugueses aqui chegaram, hoje, ano de 2007, ler em uma revista de circulação nacional matéria com o teor da que se lê causa espanto e indignação.
É lamentável constatar que, enquanto muitos se ocupam em buscar soluções para reparar minimamente o estrago de uma colonização predatória, alguns (que tem a responsabilidade de informar, esclarecer, mas de forma imparcial) se ocupem de distorcer fatos e situações para criar uma opinião pública favorável a interesses que não são explicitados.
Espero sinceramente que se retome o assunto em pauta em outra edição e que se o trate com a seriedade que requer e merece.
Atenciosamente,
Maria Izabel de Bortoli Hentz
São José – SC
Como já é tradição, Veja novamente despeja todo o seu preconceito contra os povos indígenas, desta vez tendo como alvo os Guarani de Morro dos Cavalos, em SC. O repórter poderia tentar aprender rudimentos de antropologia e de história, para entender a mobilidade Guarani por toda a região sul do Brasil e pelos países vizinhos, antes de demonstrar tamanha ignorância sobre o tema. Poderia também ler o artigo 231 da Constituição Federal e o Decreto 1775/96, que regulamentam o processo de regularização das terras indígenas pela FUNAI. Veja tem todo o direito de ser de direita (sem trocadilho), mas não precisa ser leviana.
Henrique Santos Visconti Cavalleiro
Geógrafo e Indigenista
Brasília-DF
As (des)informações contidas na matéria intitulada “Made in Paraguai” veiculada pela Revista Veja [14/03/2007] poderiam ser tratadas como imposturas apenas e, neste caso, desmerecedoras de qualquer comentário. No entanto, tais (des)informações são encaminhadas para negar a vinculação imemorial das populações Guarani com terras do litoral catarinense e, por isso, invocam reparos.
Ora, negar tal vinculação imemorial é negar os relatos dos conquistadores europeus como Hans Staden, Cabeza de Vaca e outros que aportaram no litoral catarinense nos séculos XVI e XVII. Sob os mais diferentes objetivos todos tecem comentários sobre os ocupantes deste litoral, ou seja, os índios Guarani. O termo “Carijós” é evocado por Gabriel Soares de Souza [em seu Tratado descritivo do Brasil em 1587], Fernão Cardim [em seu Tratados da terra e gente do Brasil – século XV] e outros para falar dos mesmos Guarani que ocupavam todo o litoral paulista até o litoral sul catarinense.
No mapa da Ilha de Santa Catarina feito por Hans Staden no século XVI, o autor localizou uma aldeia Guarani no continente, área onde há evidências arqueológicas dessas antigas aldeias, como o da Baixada do Massiambu que escavamos em 1987. Deste modo, negar a vinculação imemorial das populações Guarani com terras do litoral catarinense, é também negar a existência dos inúmeros sítios arqueológicos testemunhos da vivência dessas populações no litoral catarinense. Testemunhos registrados pelos arqueólogos João Alfredo Rohr, Walter Piazza, Alroino Eble, Maria José Reis, Teresa Domitila Fossari, entre outros, e publicados a partir de meados do século XX. Aliás, em um estudo sobre a “A cerâmica Guarani da Ilha de Santa Catarina” (1959), o Pe. Pedro Ignácio Schmitz trata de um acervo arqueológico com mais de 80.000 fragmentos cerâmicos coletados no Sul da Ilha, que se encontra no Colégio Catarinense.
Dra. Teresa Domitila Fossari
Arqueóloga do Museu Universitário/UFSC
Florianópolis, SC
Prezados,
Sou leitora da Veja há muitos anos e é com muita indignação que vejo a questão indígena tratada com tanto sarcasmo e tendências. Os índios Guarani há muito vêm sendo discriminados, principalmente quando o assunto se refere ao reconhecimento do direito às suas terras tradicionais. A matéria de José Edward é que parece ser made in paraguai. Apresenta um tom cínico, debochado e desrespeitoso quando se refere à população indígena de Morro dos Cavalos como “hermanos” ou “paraguaios”. Tudo bem que a FUNAI como instituição tenha muito a questionar, mas quando será que vamos deixar de confundir as coisas neste país?
Marta Adriana Pedri
Engenheira Agrônoma, MSc. em Agroecossistemas.
José Boiteux-SC
Prezados,
Sou leitora da Veja há muitos anos e é com muita indignação que vejo a questão indígena tratada com tanto sarcasmo e tendências. Os índios Guarani há muito vêm sendo discriminados, principalmente quando o assunto se refere ao reconhecimento do direito às suas terras tradicionais. A matéria de José Edward é que parece ser made in paraguai. Apresenta um tom cínico, debochado e desrespeitoso quando se refere à população indígena de Morro dos Cavalos como “hermanos” ou “paraguaios”. Tudo bem que a FUNAI como instituição tenha muito a questionar, mas quando será que vamos deixar de confundir as coisas neste país?
Marta Adriana Pedri
Engenheira Agrônoma, MSc. em Agroecossistemas.
José Boiteux-SC
Senhor Editor:
Recebi seu e-mail. e o que desejo nao eh nem ver minha carta publicada. Meu objetivo realmente eh outro. Voltarei a acreditar na seriedade da revista se esta publicar uma retratacao publica atraves de suas paginas, relativa a "materia" sobre os índios Guaranis. Seria pouco ainda comparando com o tamanho da injustica cometida contra nossos irmãos indigenas.
Vou ficar a espera!
Rosnel Bond
Camas – Washington – USA
À revista Veja
Seção de Cartas
Senhor editor:
Protesto pelo conteúdo da reportagem sobre os guaranis da aldeia Morro dos Cavalos, de Santa Catarina. É um amontoado de deturpações históricas, além de ser uma soma de injustiça e preconceito.
Toda a sociedade catarinense sabe da verdadeira situação dos nossos guaranis e de sua justa reivindicação por um pequeno pedaço de terra. Sabe também que nosso litoral é valorizado no mercado imobiliário e alvo de cobiça de muitos tubarões.
Será que esse não é o verdadeiro motivo para tentar expulsar os índios, inventando mentiras sobre eles?
Lucia Helena P. da Silva
Florianópolis – SC
Mais manifestações de repúdio à reportagem de Veja .