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Veja e a Terra Indígena Morro dos Cavalos

- desinformação e má fé -

Conheça a opinião dos Guarani sobre a reportagem de Veja contra a comunidade Guarani em Morro dos Cavalos, Palhoça-SC.


 

 

 


 

 

Terra Indígena Guarani de Morro dos Cavalos

13 de Março de 2007, Palhoça, Santa Catarina.
  
À: Revista VEJA, Editora Abril

         Viemos por meio deste informar aos editores e responsáveis da Revista VEJA que toda a comunidade Guarani de Morro dos Cavalos está indignada e transtornada com a reportagem intitulada “Made in Paraguai”, publicada na Edição 1999, de 14 de março de 2007, páginas 56, 57 e 58, de autoria do jornalista José Edward Lima, em que é tratado o processo de Demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos, Palhoça, Santa Catarina.

         Estamos nos sentindo gravemente insultados e desrespeitados pelas calúnias e distorções escritas na matéria que contém racismo e imoralidade, difamando a autenticidade da História Indígena Guarani no Brasil. Nos sentimos também agredidos pela manipulação das informações cedidas em entrevista.

         Além de distorcer nosso depoimento e o depoimento de nossos parentes, usaram de inverdades para justificar a reportagem. O repórter não teve o cuidado de conhecer um pouco mais a nossa história, o nosso território e a nossa luta pela terra. Bastaria ler o relatório circunstanciado de identificação e delimitação, que muita coisa iria ficar esclarecida, ele preferiu confiar em fontes pouco confiáveis, essa mesma fonte que há muito tempo vem ameaçando nossa comunidade. O repórter afirma que a TCU declarou inconsistente a “tese” da antropóloga: bastaria o repórter ter lido o Acórdão do TCU pra saber que o referido tribunal informa que não teve acesso a “tese”.

         Por isso, exigimos o direito de resposta, nos termos do Art. 29 da Lei 5.250, de 9.2.1967, na mesma quantidade de espaço da citada reportagem, para podermos esclarecer à população brasileira a verdade sobre a História Indígena de Morro dos Cavalos.

         Caso o pedido não seja atendido, seremos obrigados a recorrer a via judicial para defender nossa honra e esclarecer as verdades dos fatos.

         Atenciosamente,

Artur Benite
Cacique

 

 


 

 

À Revista Veja,

Ficamos muito indignados com a matéria publicada nesta revista – edição 1999 ano 40 número 10 de 14 de 3 de 2007 com o título (Made in Paraguai).
O jornalista José Edward escreveu coisas que não dissemos: 1 – Augusto Karai Tataendy é nascido na aldeia Palmeirinha, estado do Paraná, e não no Paraguai conforme escreveu o jornalista. 2 – Augusto Karai Tataendy nunca morou no Morro dos Cavalos. Os antropólogos nunca nos levaram para lugar nenhum, sempre seguimos nossos conhecimentos e a revelação de Nhanderu (Deus).
Somente na aldeia Maciambu, em Palhoça SC, em que a Terra foi seqüestrada judicialmente, o juiz nos permitiu morar lá. Ficamos nessa aldeia até 1999 quando conquistamos essa nova Terra e mudamos para Marangatu.
Pedimos que seja informado corretamente os leitores, senão teremos que entrar com justiça contra revista.

Augusto da Silva
Eduardo da Silva (cacique)

Terra Indígena Cachoeira dos Inácios – Imaruí/SC

 


 

 

 

 

Vejam

Jornalista, ou qualquer pessoa, para falar dos Guarani tem que saber da realidade, conhecer como é o nosso cotidiano.
Infelizmente é muito fácil falar mal dos Guarani Mbya, que já habitam esse território há muitos anos, chamando nosso povo de “embiás” e de “los hermanos invasores”. Ele não sabe que os verdadeiros invasores são os que chegaram depois, destruindo e comprando e vendendo as nossas riquezas naturais e as nossas terras  tradicionais que hoje se chamam Brasil. Porque, pelo conhecimento dos nossos ancestrais, antigamente todo esse território era dominado pelos povos indígenas, e não havia divisões geográficas e fronteiras nacionais.
Eu não sei o que o jornalista pensa, mas eu penso que ele é ignorante. O jornalista acusa os antropólogos e as entidades que estão apoiando os índios com trabalhos que exigem sacrifícios e defendendo uma causa justa, como Maria Inês. Pessoas que  conhecemos e que nos conhecem há muitos anos. Principalmente porque  as acusações vêm de parte de pessoas que defendem interesses capitalistas sem se preocuparem com o lado social. Para o Povo Guarani, a prioridade é a garantia e o reconhecimento da nossa Terra.

Marcio Verá Mirim Rodrigues

Assessor da Comissão da Terra Guarani Yvy Rupa

 

 

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