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INDÍGENAS DE PERU E BRASIL UNEM FORÇAS POR NÃO CONTATADOS DA AMAZÔNÍA

Povos isolados da fronteira Peru-Brasil sobre forte ameaça - José Carlos Meirelles adverte que correm risco de desaparecerem em curto tempo

 

         Cerca de trinta líderes indígenas amazônicos representantes de vinte comunidades discutiram a situação em que vivem os indígenas em isolamento durante o primeiro dia do “Encontro Regional para Garantir a Proteção e o Respeito dos Direitos dos Povos Indígenas em Isolamento da Fronteira Peru-Brasil”, organizado por CIPIACI e pelo Centro de Trabalho Indigenista - CTI, em Pucallpa, Peru.

         José Carlos Meirelles, chefe da Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira, da Fundação Nacional do Índio, FUNAI, advertiu que se não tomarem ações de imediato o futuro dos indígenas em isolamento se limita em pouco tempo. “Então, o Governo já poderá afirmar que os índios isolados não existem em território peruano, pois os mesmos terão fugido ao Brasil ou caso contrário terão desaparecido.”

         O sertanista da FUNAI perguntou a Daysi Zapata, presidenta da Organização Regional Aidesep de Ucayali - ORAU, sobre os mecanismos de ação legal que poderia executar os vigilantes que fazem a segurança das Reservas Indígenas no caso de encontrar com madeireiros ilegais. “Pouco de efetivo podemos fazer, mas presença dos postos de vigilância inibe as ações ilegais”.

         A esse respeito, Beatriz Huertas, secretária técnica da CIPIACI, lamentou que no Peru não se tomem ações legais efetivas frente a estas situações.

         Em relação à situação da zona localizada entre as bacias do rio Tamaya e o rio Yurúa, o dirigente do Alto Tamaya Edwin Chota declarou que “nós indígenas estamos preparando de maneira binacional um documento para que não se amplie a comunidade Sawawo Hito 40, porque este é um interesse da empresa forestal Venao para extrair os recursos dessa zona”.

         O dirigente denunciou a existência de garimpeiros dentro da Reserva Isconahua. “Pedimos o reconhecimento de nossos territórios antes que se outorguem concessões florestais, estamos sobrepostos com concessões porque as cinco comunidades no Tamaya não têm titulo”, acrescentou. Felicitou aos indígenas de Brasil pelo apoio que seu governo lhes concede.

         Com o poder que têm, a Madeireira Venao procura gente de todo lugar para criar comunidades fictícias. Chota pediu que se forme uma comissão para ingressar ao Tamaya a fim de constatar que uma só empresa tem a posse das comunidades e de seus recursos.

         Anders Krogh, representante de Rainforest Foundation da Noruega, apontou para as enormes diferenças entre a proteção aos isolados no território do Brasil e a proteção de Peru. “O Vale do Javari, Terra Indígena do Brasil, tem uma extensão de mais de 8 milhões de hectares, enquanto no lado peruano extensões menores se encontram fragmentadas em várias áreas, com status jurídicos diversos”, manifestou. Esta fragmentação impede uma proteção real a seus territórios.

 

Contato:

Helena Ladeira, Assessora de Imprensa CTI, (0055) (97) 9154 - 1939

Gabriela Mendoza, Oficina de Comunicaciones CIPIACI, (0051) (1) 997- 898 - 663


Leia a Declaração de Pucallpa

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