20.03.2007 Programas Ações Estratégicas Povos indígenas C.N.P.I. Mapas
 
     Institucional
     Papers
     CTI Info
     Acervo
     Destaques
     Galeria de Fotos
     Parceiros
     Revista Marandu
     Links
     Livros on line
     Busca no site
.      Mapa da Página
.    Fale Conosco
 



 

DIREITOS TERRITORIAIS INDÍGENAS EM DEBATE NO
ENCONTRO DA COMISSÃO NACIONAL DA TERRA GUARANI YVY RUPA

 
2 a 4 de novembro de 2006
Aldeia Peguaoty - Sete Barras, São Paulo

 

ENCERRAMENTO DO ENCONTRO

 

João da Silva (Sapukai - RJ):
            Todos nós que viemos de lugares diferentes temos nossos pensamentos voltados para a viagem. Nhanderu que é dono da terra saberá nosso caminho e cuidará do nosso reencontro. Depois, nosso trabalho não terá descanso. Não podemos pensar no cansaço. Eu vejo assim e é por isso que estou aqui com vocês. Através deste tipo de encontro conseguimos demarcar a aldeia de Sapukai.

             Estou muito feliz por estar aqui. Eu já tenho 94 anos. Desde os 18 anos, sou cacique. Já estou envelhecendo, mas não encontro uma pessoa para assumir o cargo de cacique. Parece que procuro, mas não acho. Eu vim aqui porque onde há necessidade, eu vou com Nhanderu. Eu não vim aqui para comer bem e dormir bem, ou para ter mordomia como na minha aldeia.
            O que vocês acham desta chuva? Até parece que não podemos sair. Mas isto acompanha os rezadores. Como chamamos isto? É Nhanderu Tupã. Não podemos ficar tristes.
            Os não-indígenas que estão aqui são as pessoas que nos apóiam. As pessoas que são daqui desta aldeia e nos ajudaram é para elas se fortalecerem. Estou muito contente com tudo isso. Elas se fortalecerão através de Nhanderu.

Laurinda (Itapuã - RS):
             Estou feliz porque meus parentes estão todos bem. Sabemos que todas as coisas são muito difíceis. As mulheres rezadoras estão aqui e eu também estou no meio. Estamos aqui através de Nhanderu. Vamos nos fortalecer juntos e com as crianças também. De onde poderemos tirar nossas palavras?

            Eu vim aqui com a intenção de ver meus parentes bem. Vamos nos fortalecer. Minha palavra é para trazer força e para termos coragem. Vamos nos reunir sempre na casa de reza. Através de Nhanderu os trabalhos crescem. Que as crianças cresçam e nos tragam força. Eu falo isso para me fortalecer também junto com vocês. Que Nhanderu olhe por nós para voltarmos bem para nossas aldeias. Sabemos que cada estrada tem obstáculos, mas Nhanderu vai nos guiar. Vamos nos fortalecer. Que todos tenhamos bons pensamentos e que quando nos reencontrarmos um dia estejamos todos com saúde. Que tenhamos força e coragem.
            Fico muito triste quando vejo as dificuldades dos nossos parentes. Que nossa casa de reza e os conhecimentos da nossa cultura não tenham fim. Que o cacique daqui também se fortaleça. Com tantas dificuldades, às vezes não sabemos como falar.

Toninho (Boa Esperança - ES):
             Eu também vou falar da minha felicidade. Estou feliz porque vocês não esqueceram de nós que estamos no Espírito Santo, nós somos filhos de Nhanderu. Ele iluminou os caciques para nos reunirmos aqui e caminharmos para o futuro. Nas matas, nos rios, tudo que existe neles é para usarmos. Quando nós conversamos e nos reunimos é sempre com alegria. A diferença é que nossa reunião não é como antigamente, mas no meio disso, abre-se um caminho para nós caminharmos. Eu peço para que vocês, quando voltarem para suas aldeias, sempre lembrem do que foi discutido aqui. Se sairmos daqui e não tivermos interesse em continuar, como vamos caminhar? Como vamos fazer um trabalho perfeito? Para falar com os não-indígenas, sem Nhanderu não teríamos coragem para falar.

            Eu estou muito feliz. Eu já conhecia algumas das pessoas que estão aqui e outras eu não conhecia, mas mesmo assim, somos todos iguais. Quando voltarmos para nossas aldeias vamos conversar para saber o que as pessoas acham do encontro que tivemos aqui. Vamos repassar tudo que foi discutido aqui. Quando eu voltar daqui, eu irei para Brasília. Eu também tenho um convite dos EUA eu vou para lá também. O que eu quero é que façamos bem este trabalho para que ele não fique parado.

Felix (Ilha do Cardoso - SP):
             Eu também vou falar da minha alegria. Estou muito feliz de encontrar todos aqui. Tem muitos velhos e jovens que eu já vi e todos me conhecem. Eu já sou velho e não tenho mais tanta força para fazer trabalho cansativo, mas não quero ficar de fora enquanto eu tiver saúde. Eu vim do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro acompanhando os mais velhos e fiquei muito feliz quando vim para o Estado de São Paulo. Eu não sei por que eu também fui escolhido para a Comissão. Espero que tenhamos coragem para não nos esquecermos de Nhanderu. Ele sabe o que queremos para vivermos um pouco melhor. Quando Nhanderu nos mandou para a terra foi para viver, crescer e termos força para falar, inclusive com os não-indígenas. Que tenhamos mais força e coragem ainda. Nhanderu vai nos ajudar.

 


Volta ao início

* Textos em itálico são traduções das explanações originais em língua guarani


 

Saiba sobre a Comissão Nacional de Terras Guarani Yvy Rupa

Leia sobre a TI Piaçaguera

Saiba sobre o Programa Guarani no litoral

 

 

Centro de Trabalho Indigenista - SCLN 210 Bloco C Sala 217 - Brasília/DF cep 70.862-538 Fone: +55 (61) 3349-7769 Fax: ramal 210
Copyright © 2004. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução do conteúdo deste site desde que citada a fonte.