Nestes primeiros dias de 2010 o CTI lamenta
a morte de três significativos pensadores e colaboradores
dos nossos trabalhos.
Thiago Ávila (+ 02/02/2010)
Mestre em antropologia social pela Universidade de Brasília,
era um profundo conhecedor da realidade Timbira, especialmente
dos Krahô, com quem construiu uma relação
próxima e contínua. Todo o seu trabalho (profissional
e acadêmico) foi voltado às questões
de políticas públicas e de saúde dos
povos indígenas. Como poucos, Thiago soube conciliar
o saber acadêmico com o fazer indigenista.
Integrou a equipe do Programa Timbira do CTI nos anos
de 2005 e 2006 discutindo e promovendo ações
sobre a prevenção de DST's, o uso de plantas
tradicionais, a questão do uso da bebida alcoólica
e a valorização do trabalho das parteiras
indígenas. Queria ver os Wajakas (detentores do poder
de cura entre os Timbira) reconhecidos pelo seu trabalho,
assim como ver atendido quem necessitasse da ajuda dos Wajakas.
Thiago trabalhou como assessor de organizações
indígenas no acompanhamento técnico de projetos,
em equipes técnicas de ONGs de apoio aos povos indígenas
e em programas de Governo.
Atualmente trabalhava no IEB – Instituto Internacional
de Educação do Brasil, como Especialista em
Assuntos Indígenas, vinculado ao consórcio
Garah Itxa: Corredores Etnoambientais na Amazônia.
Thiago faleceu em sua casa, na cidade de Brasília,
de parada cardiorespiratória. É uma perda
imensa não só para seus filhos (Zeca e Flora),
familiares e amigos, mas para o cenário indigenista.
Sabino Cojãm Krahô (+ 31/01/2010)
Intelectual brilhante, Sabino nunca estudou fora da aldeia.
Professor indígena desde os anos 90, dedicou-se a
alfabetização e a formação de
todos os jovens da Aldeia Nova Krahô, a começar
pela sua mulher, Creuza Prumkwui, atual professora indígena.
Foi um dos criadores do Centro Timbira de Ensino e Pesquisa
Pënxwyj Hëmpejxa, idealizador e coordenador da
Escola Timbira que formou 60 jovens Krahô, Apinajé,
Krikati, Pykobjê, Apãniekra e Ramkokamekra
no ensino médio, sem que precisassem ir a cidade
para estudar. Era coordenador do departamento de Educação
da Associação Indígena Wyty Catë.
Cojãm morreu no hospital em Araguaína - TO,
conseqüência de complicações de
diabetes, com a qual já vinha lutando há anos.
É uma perda imensa não só para seus
parentes da aldeia Nova, Serra Grande, Forno Velho, mas
para todos os Krahô. Como também para a Associação
Wyty Catë e para seus amigos e parentes do CTI.
Marcos Isid Mayoruna (+ 29/01/2010)
Marcos Isid Mayoruna, morava na aldeia Nova Esperança
na TI Vale do Javari - AM e trabalhava como Agente Indígena
de Saúde. Participou de cursos oferecidos pelo CTI
e foi presença orientadora nos acompanhamentos pedagógicos
em sua aldeia. No inicio de 2009 começou o tratamento
de Hepatite B em Tabatinga na Casa de Apoio da Funasa.
Durante seu tratamento freqüentava a sede do CTI em
Tabatinga, não só para falar com sua família
na aldeia pelo sistema de radiofonia, como para conversar
com a equipe. Devido a essa aproximação Marcos
se tornou uma pessoa bem querida por todos do CTI.
Marcos se suicidou no dia 29 de janeiro, aos 24 anos, em
sua casa na aldeia Nova Esperança. Desconhecemos
os motivos que levaram Marcos a fazer esta opção.
Lamentamos muito.
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