Revista Eletrônica do CTI - Centro de Trabalho Indigenista
Ano I
Nº 02
Setembro 2004

Atualidades
O que acontece na instituição


TIMBIRA

PDPI aprova projeto da Associação Mãkraré

Finalmente, depois de quase 15 meses de negociações, o PDPI, na última reunião do seu Conselho, aprovou os primeiros projetos da Amazônia Oriental beneficiando os povos Timbira. A Associação Mãkraré, com assessoria do CTI, teve o projeto “Krintwa: No caminho da autonomia e valorização do povo Mãkraré” aprovado e atenderá aos Krahô-Mãkraré da aldeia Nova (TO). O projeto terá duração de 03 anos e o seu desembolso estava prometido para julho. Este projeto, nas versões Word e Access, pode ser solicitada no endereço ctibsbs@terra.com.br. Os outros projetos aprovados beneficiam os Canela-Rancôcamekra da aldeia do Escalvado, os Canela-Apãnjêkra da aldeia Porquinhos e os Timbira da Geralda Toco-Preto, todas no Maranhão.

Escola Timbira
Aconteceu no período de 23 de maio a 20 de junho o 3º módulo do terceiro ciclo da Escola Timbira. Participaram 45 jovens Krahô, Apinajé, Krikati, Apãniekra, Ramkokamekra, Pykobjê . O curso foi realizado na cidade de Carolina, Maranhão, no Centro de Ensino e Pesquisa Timbira Pinxwyj Himpèjxà.
A proposta é oferecer em um total de 10 módulos um ensino de qualidade aos jovens Timbira que terminaram a primeira fase do ensino fundamental em suas aldeias sem que precisem estudar nas cidades.
A Escola Timbira é resultado de uma parceria do CTI e da Associação dos Povos Timbira Vyty-Cati com a FUNAI e Gerência de Desenvolvimento Humano do Maranhão, comprometidos em propiciar um ensino diferenciado e de qualidade ao povo Timbira que se encontra nos estados do Maranhão e Tocantins que não esteja atrelada a limites políticos e administrativos.

Finalizado levantamento sócio-econômico e ambiental no entorno das áreas Timbira no Tocantins e Maranhão

Com apoio da Secretaria da Amazônia do MMA, o CTI concluiu a primeira fase do projeto “DIAGNÓSTICO AMBIENTAL: PRESERVAÇÃO DE ÁREAS EXTRATIVISTAS NO ENTORNO DE TERRAS INDÍGENAS NO MARANHÃO-TOCANTINS”. A equipe composta por três técnicos (um biólogo, um engenheiro florestal e um “guia”, munidos do instrumental necessário - cartas, imagens de satélite e gps) percorreu, durante cerca de 60 dias, os municípios de Itacajá, Goiatins, Santa Maria do Tocantins, Campos Lindos, Pedro Afonso, Recursolandia e Centenário, todos no estado do Tocantins e, nos municípios de Carolina, Riachão, Fortaleza dos Nogueiras, Estreito, no Maranhão. Essa região abriga as maiores reservas nativas de Bacuri (Platonia insigneas) cujo fruto é extremamente valorizado no centro-norte brasileiro. A degradação ambiental, que vem ocorrendo no entorno das Terras Indígenas Timbira esta associada, além de outros fatores, à expansão da fronteira agrícola ligada às atividades da sojicultura. Essa expansão tem provocado a abertura de estradas na fronteira da Terra Indígena Krahô e grandes desmatamentos no cerrado, além de, exercerem uma forte pressão sobre os chamados “pequenos” produtores que ficam as margens do processo ou vendem suas terras. Foram constatadas outras atividades depredatórias ao ambiente como carvoarias, pecuária extensiva, mineração, além das plantações de soja que estarão duplicando a área de plantio nos próximos anos, acelerando ainda mais a transformação de áreas extrativistas tradicionais em futuros desertos no Cerrado Brasileiro.

Projeto Frutos do Cerrado faz 10 anos e será avaliado por diversos parceiros em Assembléia da Associação Vyty-Cati

Na primeira semana de agosto estará ocorrendo mais uma assembléia geral da Associação Vyty-Cati das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins, na aldeia Rio Vermelho dos Krahô. Além da pauta específica da associação, nos dias 9 e 10/08, representantes do SCA/CEX – Secretaria de Coordenação da Amazônia/Coordenadoria de Agroextrativismo, FUNBIO – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, PDA – Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil: Projetos Demonstrativos Categoria A, e ISPN – Instituto Sociedade População e Natureza. Eles estarão discutindo juntamente com o CTI e representantes indígenas da Associação Vyty-Cati os resultados e as perspectivas do Projeto Frutos do Cerrado, que está fazendo 10 anos em julho e tem recebido apoio desses diversos parceiros nestes últimos anos.

GUARANI

Oficina ambiental reúne mais de 250 representantes Guarani em São Paulo

Entre os dias 16 e 20 de junho de 2003 foi realizada na Aldeia Rio Branco de Itanhaém (SP) a Oficina do Programa Ambiental Guarani que reuniu cerca de 280 representantes de 50 aldeias de várias regiões onde foram realizados levantamentos sobre a situação ambiental e fundiária das terras indígenas e seu entorno.
A aldeia do Rio Branco foi escolhida por ter uma localização intermediária entre os extremos do território Guarani e por ser uma aldeia de ocupação antiga e ponto tradicional de parada na trajetória dos grupos que se deslocaram mais ao norte do território (norte de SP, RJ e ES). É uma aldeia cuja área foi demarcada e homologada em 1987, possui área de floresta em bom estado de conservação, rio, e é distanciada da cidade, reunindo assim condições para abrigar e concentrar os Guarani durante a Oficina.

TERENA

FUNAI aprova e publica relatório de identificação da Terra Indígena Cachoeirinha

O Relatório Circunstanciado de Identificação da TI Cachoeirinha , de autoria do antropólogo Gilberto Azanha, do CTI, teve seu resumo publicado no Diário Oficial da União pela FUNAI no último dia 24/06. A área identificada pelo GT 1155 coordenado pelo referido antropólogo perfaz um total de 36,288 mil hectares aproximadamente – contra os atuais 2.600 “doados” em 1943 pelo Estado do Mato Grosso. Agora, os “interessados” (invasores) terão 90 dias para contestarem o laudo, conforme determina o Decreto 1.775 que regulamenta o processo administrativo das terras indígenas.


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