25/04/2005 - Boletim
Boletim Terra Livre
Brasília, 25 de abril de 2005
Número 1
Começa em Brasília o Acampamento Indígena Terra
Livre
Mais de 700 representantes de 89 povos indígenas de quase todos os Estados
brasileiros participaram hoje (25/04), da abertura das atividades do grande acampamento
indígena montado na madrugada desta segunda-feira, na Esplanada dos Ministérios,
em Brasília. São cerca de 25 malocas de folhas de coqueiro, organizadas
em formato circular com uma grande tenda ao centro, onde acontecem as seções
plenárias, de 25 a 29 de abril, em frente ao Congresso Nacional.
A Mobilização Nacional Terra Livre é o ato principal de
uma série de atividades que vêm acontecendo em todo o país
durante o “Abril Indígena” - movimento organizado pelo Fórum
de Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI), que agrupa uma série de
protestos e discussões, em todo o país, sobre a política
indigenista do governo Lula. Com a manifestação, os indígenas
querem unir forças e debater as principais necessidades de suas comunidades,
para apresentarem propostas concretas ao Governo e ao Poder Legislativo.
De acordo com o secretário executivo do FDDI, a idéia de se realizar
uma mobilização nacional surgiu por causa do crescente agravamento
da situação dos povos indígenas. “Decidimos que era
preciso se criar um fato político que marcasse a insatisfação
dos povos indígenas com a atual política indigenista do Governo
Lula”, discursou Gersen Baniwa.
O Fórum optou por não apresentar centenas de reivindicações
ao Governo. Mas, centralizar as discussões em quatro grandes eixos temáticos:
1 – Situação da saúde e educação indígenas,
acelerar o processo de regularização das terras indígenas,
principalmente as mais complexas;
2 - Não aos Projetos de Lei (PL’s) e às Propostas de Emenda à Constituição
(PEC’s), que ameaçam os direitos indígenas no Congresso Nacional
e assegurar o respeito a Legislação Infra-Constitucional (Estatuto
dos Povos Indígenas);
3 - Criação de um Conselho Nacional de Política Indigenista
como um órgão para normatizar uma nova política indigenista;
4 – Etnodesenvolvimento: gestão territorial, sustentabilidade das
Terras Indígenas e garantias em Lei de mecanismos previstos na Convenção
da Diversidade Biológica, de repartição justa e eqüitativa
de benefícios e anuência prévia e informada, para o acesso
aos conhecimentos dos povos indígenas e das populações tradicionais.
A dinâmica das atividades
Todas as tardes desta semana, às 15 horas, haverá uma seção
plenária para se discutir um dos temas acima e elaborar um documento que
será apresentado na manhã do dia seguinte, às 9 horas, em
audiências com autoridades do Governo e do Poder Legislativo. As plenárias
acontecem na tenda montada no gramado da Esplanada dos Ministérios, em
frente ao Congresso Nacional e as audiências serão realizadas no
auditório do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). “Os debates,
as propostas, as conclusões serão de todos os presentes e não
apenas dos membros do Fórum”, enfatiza o secretário do FDDI.
A primeira Plenária
Na segunda-feira, dia 25, por volta das 15 horas, foram iniciados os debates
da Mobilização Indígena Terra Livre, com discussões
sobre os processos de regularização das terras indígenas,
a situação da saúde e da educação indígenas,
e sobre a política indigenista brasileira de forma geral.
O debate foi iniciado com motivação apresentada por Marcio Santilli,
do Instituto Socioambiental (ISA). Durante a tarde, os indígenas fizeram
debates em grupos menores, divididos por regiões do país. Ao final
do dia, os grupos apresentam as discussões para a plenária geral
para que sejam sistematizadas propostas.
Programação Cultural
Durante toda a semana, a partir das 20h serão realizadas apresentações
culturais.
No dia 25, a programação começa com o teatro da Brigada
Cultural do MST. Às 20h30, haverá a exibição de
um documentário sobre o movimento indígena brasileiro, o vídeo
Pisa Ligeiro, de Bruno Pacheco. A partir das 21h15, acontecem apresentações
de grupos indígenas.
Terça-feira
Está programada, para as 9h da manhã do dia 26, uma audiência
pública com: Ministério da Justiça, Funai, 6ª Câmara
do Ministério Público Federal (MPF), Advocacia da União
(AGU), Incra.
À s 15 horas, acontece a plenária "Ameaças aos direitos
indígenas no Congresso Nacional".
FÓRUM EM DEFESA DOS DIREITOS INDÍGENAS
Coordenação das Organizações Indígenas da
Amazônia Brasileira (Coiab), Conselho Indígena de Roraima (CIR),
Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Instituto Socioambiental
(ISA), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Centro de Trabalho Indigenista
(CTI), Comissão Pró-Yanomami (CCPY). O “Abril Indígena” é apoiado
ainda por outras organizações como a Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência
(SBPC).