CD AMJËKIN - Música
dos Povos Timbira
O CD tem coordenação
musical de Kilza Setti e participação
de mais de 200 índios das etnias Gavião-Pykopjê,
Canela-Ramkokamekra, Canela-Apaniêkra, Apinajé,
Krahô e Krikati. O trabalho é um dos
resultados do projeto Arquivo Musical Timbira,
do Programa Educação e Referência
Cultural do CTI. A obra reúne pequenas amostras
de cantos rituais como os de Këtwajë (rito
de iniciação dos jovens para a idade
adulta), Wy’ty (rito
de recebimento ou entrega de dignidade ritual), Pepkahyc (segunda
etapa do rito de iniciação masculina), Pyrëkahyc (rito
da “falsa tora” ou do final do luto),
pequenos trechos de cantigas de ninar, de festas,
de caçada, entre outros. São pequenos
fragmentos sonoros que, além do valor musical,
reforçam e consolidam a unidade lingüística
e cultural dos Povos Timbira. O CD é a comprovação
das afinidades culturais e da forte identidade
entre os diversos grupos Timbira.
Por meio de encontros e oficinas,
junto aos Povos Indígenas do Maranhão
e Tocantins, foram gravadas, in loco, mais de 30
horas de música - disponíveis no
Acervo do Projeto - das quais foram selecionadas
quase 4 horas, que resultaram no rico repertório
desse CD. As gravações foram realizadas
durante uma semana, no I Encontro de Cantadores
Timbira, realizado em fevereiro de 2004, pelo Centro
de Trabalho Indigenista e a Associação
Wy’ty Catë dos Povos Timbira do Maranhão
e Tocantins, com patrocínio da Petrobras.
Veja a resenha deste CD feita pelo etnomusicólogo Carlos Sandroni e publicada na revista Musica & Cultura.

Projeto Arquivo Musical Timbira
Em 1995, o CTI incluiu a Música
como disciplina dos seminários de formação
de professores indígenas, o que provocou
surpreendente interesse e resultou no Projeto Arquivo
Musical Timbira. Desde 1996, este Projeto vem propondo
procedimentos para o recolhimento, registro fonográfico,
recuperação, arquivamento e classificação
dos repertórios rituais dos povos Timbira.
A circulação e intercâmbio, entre as aldeias, do material
gravado, vem fortalecendo a prática musical e estimulando o interesse
pela continuidade dessa prática, sobretudo em comunidades onde, por
razões diversas, o patrimônio musical encontra-se enfraquecido.
O recolhimento dos repertórios é feito pelos próprios índios,
seguindo a uma sistemática: cada gravação de fita cassete é acompanhada
de uma ficha preparada para receber dados de interesse musicológico
e antropológico, sobre as ocasiões musicais. Esse trabalho tem
contribuído para a valorização das diferenças entre
aqueles grupos indígenas, criando uma consciência de identidade
cultural comum entre os vários povos Timbira.

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