20.03.2007 Programas Ações Estratégicas Povos indígenas C.N.P.I. Mapas
 
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O documento abaixo será encaminhado ao IBAMA e ao Ministério Público contra a implantação da barragem de Estreito


Os cidadãos abaixo assinados, manifestam-se por meio deste documento contra a implantação da Usina Hidrelétrica de Estreito (UHE), no rio Tocantins. A eventual implantação dessa Usina irá descaracterizar a vida de milhares de pessoas dos municípios atingidos, provocando alterações sociais, ambientais e cênicas irreversíveis. Esses impactos prejudicarão o desenvolvimento do turismo ecológico em nossa região, que vem se colocando como uma das melhores alternativas econômicas para nossa população. Devemos estar atentos para a propaganda do chamado progresso fácil, que vem rápido e de fora, podendo trazer até alguns benefícios temporários, mas prejudicando definitivamente os planos de um desenvolvimento sustentável de longo prazo e realizado a partir das vocações e potencialidades do nosso povo e do nosso meio ambiente.

Compreendemos a gravidade da crise energética que vive o país, mas a construção desenfreada de usinas hidrelétricas não é a única solução para este problema, sendo que o próprio governo já vem buscando aproveitar alternativas para espantar qualquer possibilidade de novos apagões. E mesmo após a recente realização das audiências públicas, a maioria da população continua sem saber quais as reais dimensões e compensações dos impactos que serão sofridos, pois esse empreendimento não pode ser discutido separadamente de todos os outros grandes projetos de “desenvolvimento” que estão sendo implantados na nossa região.

Entendemos também que a bacia do rio Tocantins merece especial atenção, em função de possuir riquezas arqueológicas e naturais ainda pouco conhecidas, mas muito frágeis diante da ação do homem. Mais do que barragens e hidrelétricas, Carolina e região precisam conservar seus patrimônios históricos e ambientais, representando as maiores áreas de cerrado preservado do Brasil. Mais do que barragens, Carolina e região precisam criar e defender o Parque Nacional Chapada das Mesas, que poderá inclusive fazer crescer a indústria do turismo e a conseqüente qualificação de guias e demais serviços, beneficiando a população de forma direta e permanente.

Além da pressão dos grandes projetos, da presença de áreas indígenas, da riqueza da biodiversidade daquelas áreas de cerrado e de transição para a floresta amazônica, outra justificativa nos parece ser a existência de vários grupos organizados que estão desenvolvendo projetos de aproveitamento sustentável dos recursos naturais do cerrado, de manejo e extrativismo. Essas comunidades e organizações estão criando efetivamente alternativas econômicas e de geração de emprego e renda para os “povos do cerrado” – índios e pequenos produtores agroextrativistas –, contribuindo para a conservação daquele ambiente e para a construção de um novo modelo de desenvolvimento, não-predatório e sustentável.



Saiba quais são os impactos da UHE sobre as Terras Indígenas Krahô e Apinajé
(Documento escrito pelos índios durante audiências públicas sobre a UHE em Carolina)

 

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