
O documento abaixo será encaminhado
ao IBAMA e ao Ministério Público contra
a implantação da barragem de Estreito
Os cidadãos abaixo assinados, manifestam-se
por meio deste documento contra a implantação
da Usina Hidrelétrica de Estreito (UHE), no
rio Tocantins. A eventual implantação
dessa Usina irá descaracterizar a vida de milhares
de pessoas dos municípios atingidos, provocando
alterações sociais, ambientais e cênicas
irreversíveis. Esses impactos prejudicarão
o desenvolvimento do turismo ecológico em nossa
região, que vem se colocando como uma das melhores
alternativas econômicas para nossa população.
Devemos estar atentos para a propaganda do chamado
progresso fácil, que vem rápido e de
fora, podendo trazer até alguns benefícios
temporários, mas prejudicando definitivamente
os planos de um desenvolvimento sustentável
de longo prazo e realizado a partir das vocações
e potencialidades do nosso povo e do nosso meio ambiente.
Compreendemos a gravidade da crise
energética que vive o país, mas a construção
desenfreada de usinas hidrelétricas não é a única
solução para este problema, sendo que
o próprio governo já vem buscando aproveitar
alternativas para espantar qualquer possibilidade de
novos apagões. E mesmo após a recente
realização das audiências públicas,
a maioria da população continua sem saber
quais as reais dimensões e compensações
dos impactos que serão sofridos, pois esse empreendimento
não pode ser discutido separadamente de todos
os outros grandes projetos de “desenvolvimento” que
estão sendo implantados na nossa região.
Entendemos também que a bacia
do rio Tocantins merece especial atenção,
em função de possuir riquezas arqueológicas
e naturais ainda pouco conhecidas, mas muito frágeis
diante da ação do homem. Mais do que
barragens e hidrelétricas, Carolina e região
precisam conservar seus patrimônios históricos
e ambientais, representando as maiores áreas
de cerrado preservado do Brasil. Mais do que barragens,
Carolina e região precisam criar e defender
o Parque Nacional Chapada das Mesas, que poderá inclusive
fazer crescer a indústria do turismo e a conseqüente
qualificação de guias e demais serviços,
beneficiando a população de forma direta
e permanente.
Além da pressão dos
grandes projetos, da presença de áreas
indígenas, da riqueza da biodiversidade daquelas áreas
de cerrado e de transição para a floresta
amazônica, outra justificativa nos parece ser
a existência de vários grupos organizados
que estão desenvolvendo projetos de aproveitamento
sustentável dos recursos naturais do cerrado,
de manejo e extrativismo. Essas comunidades e organizações
estão criando efetivamente alternativas econômicas
e de geração de emprego e renda para
os “povos do cerrado” – índios
e pequenos produtores agroextrativistas –, contribuindo
para a conservação daquele ambiente e
para a construção de um novo modelo de
desenvolvimento, não-predatório e sustentável.
Saiba
quais são os impactos da UHE sobre as Terras Indígenas
Krahô e Apinajé
(Documento escrito pelos índios durante audiências públicas
sobre a UHE em Carolina)
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