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Ato em memória de Galdino lembra lideranças que morreram na luta pela terra



Um ato para marcar os 10 anos do assassinato de Galdino Pataxó Hã Hã Hãe fechou o segundo dia (17/4) do Acampamento Terra Livre, que permanece até quinta-feira, 19 de abril, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Os cerca de mil indígenas, de 100 povos, que estão acampados, caminharam até a Praça Galdino, onde o indígena foi queimado vivo em abril de 1997 por jovens da classe média alta de Brasília.

A manifestação também lembrou os 257 indígenas que foram assassinados desde aquela data, segundo levantamento do Conselho Indigenista Missionário. Muitas pessoas carregavam cartazes com os nomes de lideranças que foram mortas na luta pela terra. “Continuam ameaçando nosso povo. Os assassinos do cacique João montaram casa dentro de nossa terra e continuam nos perseguindo. A Justiça não fez nada,” repetia indignada Antonia Guajajara, que carregava o cartaz com o nome de João Araújo, assassinado em 2005, em meio à luta pela demarcação da terra Bacurizinho, no Maranhão.

Galdino também foi assassinado quando estava em Brasília lutando pela terra de seu povo. Há 24 anos, aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal, o processo que pede a nulidade dos títulos de terra, concedido pelo Governo da Bahia para fazendeiros que invadem a área Hã Hã Hãe. “Esse processo parado contribui para aumentar a violência. A gente sabe que os fazendeiros contratam pistoleiros para ameaçar a gente e também tem uma proposta para acabar com a nossa terra”, reforça Reginaldo Vieira, cacique da aldeia Caramuru, que estava com Galdino na época do assassinato.

Ao chegarem na Praça Galdino, onde há um monumento em memória de Galdino, houve um ritual feito por líderes religiosos de diversos povos. Em seguida, os indígenas limparam e pintaram a obra, que estava suja e abandonada.  “É para mostrar que o movimento indígena está forte. Por isso vamos cuidar da memória de nossos mártires que morreram na luta”, afirmou Jecinaldo Sateré Mawé, coordenador da Coiab.

   

 

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