Lideranças
indígenas temem conflito com isolados
O seminário 'Índios Isolados e Dinâmicas
Fronteiriças no Estado do Acre: políticas
oficiais e agendas futuras para sua proteção"
aconteceu entre os dias 1 a 3 de dezembro, em
Rio Branco, no Centro de Formação dos
Povos da Floresta. Organizado pela Comissão
Pró-Índio do Acre (CPI-Acre), discutiu
as políticas oficiais de proteção
aos povos indígenas isolados na fronteira Acre-Ucayali.
No Acre existem três terras indígenas
(TIs) destinadas à proteção de
povos isolados (TIs Alto Tarauacá, Riozinho
do Alto Envira e Kampa e Isolados do Rio Envira),
com extensão total de 636.384 ha. Há
presença confirmada de isolados em outras seis
terras indígenas e duas unidades de conservação
no Estado. No lado peruano, existem quatro reservas
territoriais (Madre de Dios, Murunahua, Mashco-Piro
e Isconahua) para estes povos, e também se
verifica a sua presença no Parque Nacional
Alto Purús.
Apesar de seu reconhecimento oficial, essas reservas
têm sido sobrepostas por lotes para a prospecção
e exploração de gás e petróleo.
Invasões de madeireiros ilegais têm gerado
restrições territoriais, correrias,
contatos forçados, epidemias e conflitos entre
isolados e moradores de comunidades nativas.
Diante da presença cada vez mais freqüente
de isolados próximo às suas aldeias,
lideranças Kaxinawá presentes no seminário
manifestaram a intenção de estabelecer
contato com estes povos: "nós não
vamos deixar assim, sem fazer o contato (...) Se nós
não tivermos contato com eles, vai ter mais
conflito (...) Já tem gente se mudando, as
mulheres têm medo de ficarem sozinhas em casa
[e serem atacadas pelos isolados]",
disse o agente agroflorestal Antônio Ferreira
Kaxinawá, da TI Kaxinawá do Rio Humaitá.
A possibilidade de um contato forçado preocupa
a FUNAI, que se comprometeu a estreitar o diálogo
com as aldeias das TIs compartilhadas com isolados.
Um termo de cooperação firmado recentemente
entre o órgão indigenista oficial e
o Governo do Estado do Acre prevê a realização
de oficinas de sensibilização nestas
aldeias.
Participaram do seminário lideranças
indígenas Kaxinawá, Ashaninka, Manchineri,
Nukini e Poyanawa de nove terras indígenas
do Acre e de uma Comunidade Nativa peruana; organizações
da sociedade civil " Centro de Trabalho
Indigenista (CTI), SOS Amazônia e Instituto
Del Bien Común (IBC) do Peru "
e representantes do governo brasileiro, através
da FUNAI e da Assessoria Especial dos Povos Indígenas
do Governo do Estado do Acre.
responsável: Helena
Ladeira |