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Novembro/Dezembro de 2008

Lideranças indígenas temem conflito com isolados       

            O seminário 'Índios Isolados e Dinâmicas Fronteiriças no Estado do Acre: políticas oficiais e agendas futuras para sua proteção" aconteceu entre os dias 1 a 3 de dezembro,  em Rio Branco, no Centro de Formação dos Povos da Floresta. Organizado pela Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre), discutiu as políticas oficiais de proteção aos povos indígenas isolados na fronteira Acre-Ucayali.

            No Acre existem três terras indígenas (TIs) destinadas à proteção de povos isolados (TIs Alto Tarauacá, Riozinho do Alto Envira e Kampa e Isolados do Rio Envira), com extensão total de 636.384 ha. Há presença confirmada de isolados em outras seis terras indígenas e duas unidades de conservação no Estado. No lado peruano, existem quatro reservas territoriais (Madre de Dios, Murunahua, Mashco-Piro e Isconahua) para estes povos, e também se verifica a sua presença no Parque Nacional Alto Purús.

            Apesar de seu reconhecimento oficial, essas reservas têm sido sobrepostas por lotes para a prospecção e exploração de gás e petróleo. Invasões de madeireiros ilegais têm gerado restrições territoriais, correrias, contatos forçados, epidemias e conflitos entre isolados e moradores de comunidades nativas.

            Diante da presença cada vez mais freqüente de isolados próximo às suas aldeias, lideranças Kaxinawá presentes no seminário manifestaram a intenção de estabelecer contato com estes povos: "nós não vamos deixar assim, sem fazer o contato (...) Se nós não tivermos contato com eles, vai ter mais conflito (...) Já tem gente se mudando, as mulheres têm medo de ficarem sozinhas em casa [e serem atacadas pelos isolados]", disse o agente agroflorestal Antônio Ferreira Kaxinawá, da TI Kaxinawá do Rio Humaitá.

            A possibilidade de um contato forçado preocupa a FUNAI, que se comprometeu a estreitar o diálogo com as aldeias das TIs compartilhadas com isolados. Um termo de cooperação firmado recentemente entre o órgão indigenista oficial e o Governo do Estado do Acre prevê a realização de oficinas de sensibilização nestas aldeias.     

             Participaram do seminário lideranças indígenas Kaxinawá, Ashaninka, Manchineri, Nukini e Poyanawa de nove terras indígenas do Acre e de uma Comunidade Nativa peruana; organizações da sociedade civil " Centro de Trabalho Indigenista (CTI), SOS Amazônia e Instituto Del Bien Común (IBC) do Peru " e representantes do governo brasileiro, através da FUNAI e da Assessoria Especial dos Povos Indígenas do Governo do Estado do Acre.

responsável:  Helena Ladeira

 

 

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